Já pensaram numa vida sem adereços e alegorias, sem enredo ou evolução? Pois é, muita gente se sente assim, numa avenida, parado na frente da Comissão de Frente, sem saber pra onde ir.
Ao lado uma platéia observando seu samba no pé, sedenta pelo show. E é justamente essa expectativa que cria mais temor ainda dos passos não saírem no compasso. E a galera agita: Bota pra quebrar! Se joga! Quebra tuuuuuuuuuuuuuuudo!
E quanto mais incentivo, quanto mais o público espera, o contrário passa a comandar e a gente vai sentindo uma sonolência, uma vontade de Rita Lee... só pra deitar e rolar... Daí quando o povarel percebe o contrário, não tem perdão, eles implicam mesmo. É essa nossa insistente mania de comandar a vida alheia. Vestidos com a fantasia da “Verdade” e com a máscara da “Lógica”, orientamos infernalmente as decisões arbitrárias do pobre improdutivo.
Mas não adianta conselho. Nem dizer, que terras improdutivas podem ser invadidas. Por mais que isso empolgue, “coisas” a mais, escondidas no baú de nós mesmos, impendem a sintonia com o dito, melhor a ser feito!
O que fazer? Sei lá! Vamos trocando idéias. Eu tenho comigo que o importante é saber que temos em nós uma gana que não nos engana, uma vontade de acertar. Ah! Talvez seja isso minha gente. Querer acertar demais. Ou melhor (ou pior?), não querer errar. Aff! Quando me falo que eu preciso, posso, consigo errar aaaaaaaaaaaaaiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii, merda, não me entra essa fatalidade. E olha que é uma fatalidade boa, até quase santa.
Veja bem, você poder errar. Mas nós somos tão filhos da puta, que isso só serve pra gente mesmo, não pros outros. Eu posso errar, mas os outros não. Como eu não permito que os outro também errem, eles passaram a me vigiar nos meus erros. Daí com isso essa troca, desgraçada, de especulações, me tornei um idiota que não saber errar. Na minha infância, a gente dizia que não sabia perder.
Apelou, perdeu, playboy!
E como estamos no carnaval (bosta, eu não estou no Brasil, estou em Curitiba, e aqui eles se acham tão europeus de merda que nem carnaval conservam), vai um samba di catigoria da Mangueira, é claro!
Um comentário:
Acho que todo mundo produz. Só o fato de não produzir algo já é em si, produção. Parabéns pelo texto e boa escolha de Samba!
bjs
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